Misturas homogêneas: o que são, exemplos práticos e como o tema é cobrado no Enem e vestibulares O tema misturas...
A Estequiometria é o cálculo das quantidades de reagentes e produtos envolvidos em uma reação química, sendo um tópico essencial em Química, especialmente em exames como o ENEM. Ela se baseia em uma 'receita' precisa, similar ao preparo de um bolo, e depende do balanceamento correto das equações químicas para garantir que a Lei de Conservação das Massas, proposta por Lavoisier, seja respeitada. Esse conceito é aplicado em diversas situações cotidianas, como a combustão de combustível e a digestão dos alimentos. Para dominar a estequiometria, é necessário entender as relações quantitativas entre os elementos, balancear as equações, e conhecer as leis que regem esse cálculo, como a Lei de Lavoisier, Proust e Dalton.
Imagine uma receita de bolo. Para fazer um bolo perfeito, você precisa de quantidades específicas de farinha, ovos, açúcar e manteiga. Se colocar ovos demais ou farinha de menos, o resultado será um desastre.
A Química, em sua essência, funciona de maneira muito similar. Cada reação química — seja a combustão da gasolina no motor do carro, a fotossíntese nas plantas ou a digestão dos alimentos no seu corpo — segue uma “receita” precisa. Essa “receita” é o que chamamos de Estequiometria.
A Estequiometria é o cálculo das quantidades de reagentes e produtos envolvidos em uma reação química. Um tópico, portanto, frequente e importante na área da química. Por isso, para facilitar seus estudos, forneceremos a base necessária e estratégias para resolver os exercícios em provas de admissão para universidades.
Continue a leitura e confira!
Em termos técnicos, a Estequiometria (do grego stoicheion, “elemento”, e metron, “medida”) é o ramo da Química que estuda as relações quantitativas entre os elementos que formam os compostos (estequiometria de composição) e entre as substâncias que participam de uma reação química (estequiometria de reação).
É sobre esta última que nós vamos falar neste texto.
O ponto de partida para qualquer cálculo estequiométrico, por essa razão, é uma reação química balanceada. O balanceamento, portanto, garante que a Lei de Conservação das Massas, proposta por Lavoisier, seja respeitada: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
Isso significa que o número de átomos de cada elemento deve ser o mesmo nos reagentes e nos produtos. Para melhor visualizar, abaixo a ilustração da queima do metano (CH4) que produz gás carbônico (CO2) e água.

Considere a famosa reação química de combustão do gás propano (C₃H₈), encontrado em botijões de gás:
C₃H₈ + O₂ → CO₂ + H₂O (Não balanceada)
Ao olharmos para essa equação, é possível verificar que a combustão do gás propano produz gás carbônico e água. Há, no entanto, um problema: a equação química NÃO está balanceada.
E como sabemos disso? Fácil! Note que na primeira parte da equação há 8 Hidrogênios, já na segunda, só dois. Observe, também, que situação semelhante ocorre com o Carbono e o Oxigênio.
Por conseguinte, se usássemos essa equação, do jeito que está, para calcular a relação entre reagentes e produtos, chegaríamos a resultados absurdos, pois ela não obedece à conservação da massa. A versão balanceada correta é:
C₃H₈ + 5 O₂ → 3 CO₂ + 4 H₂O
Agora sim! Como você pode ver, temos, agora, a mesma quantidade de átomos de cada elemento em ambos os lados. Assim, essa equação nos diz que:
É a partir dessas proporções, os coeficientes estequiométricos (que na nossa equação em análise, são os números 1, 5, 3 e 4), que todos os cálculos são feitos a partir da equação balanceada.
Abaixo a ilustração da explicação feita acima sobre a queima do gás de cozinha.

Antes de partirmos para os cálculos, é fundamental entender as leis que regem a Estequiometria. Elas são os pilares que garantem a precisão dos resultados.
Em um sistema fechado, a massa total dos reagentes em uma reação química é igual à massa total dos produtos.
Se 44g de propano reagem com 160g de oxigênio, a soma das massas dos produtos (CO₂ e H₂O) será obrigatoriamente 204g, pois 160+44=204.
Um composto químico é sempre formado pelos mesmos elementos, combinados na mesma proporção em massa.
Isto é, em uma reação química, a proporção em massa das substâncias que reagem e que são produzidas é sempre fixa. A água (H₂O), por exemplo, sempre terá a relação de 1g de H para 8g de O, independentemente de sua origem.
Quando dois elementos, ao se combinarem, formam mais de um composto, mantendo-se fixa a massa de um deles, a massa do outro varia numa relação de números inteiros simples.
E o que isso quer dizer? É dizer que a relação entre as massas dos elementos em diferentes compostos formados é sempre uma proporção fixa e que pode ser expressa numa razão de números inteiros simples. É o caso do CO (monóxido de carbono) e do CO₂ (dióxido de carbono).
Para uma massa fixa de carbono, a massa de oxigênio no CO₂ é o dobro da massa de oxigênio no CO. Por quê? Atente-se que a razão de massa do Oxigênio para uma massa fixa de Carbono é 1:2.
Isso significa que, para cada átomo de Carbono, o CO (monóxido de carbono) tem um átomo de Oxigênio e o CO₂ tem 2 átomos de Oxigênio.
Resolver um problema estequiométrico é como seguir uma lista de verificações, um checklist. Desviar da ordem desse checklist é a principal causa de erros. Vamos ao roteiro infalível:
(Questão modelo Enem) O alumínio é utilizado para a produção de tiras para fechamento de embalagens. É sabido que o alumínio é produzido a partir da bauxita, que contém Al₂O₃. Quantos gramas de alumínio são produzidos a partir de 5,1 kg de Al₂O₃, conforme a reação:
Al₂O₃ + C → Al + CO₂?
(Dados: Massas molares: Al=27 g/mol; O=16 g/mol; C=12 g/mol).
2 Al₂O₃ + 3 C → 4 Al + 3 CO₂
(Observe que a equação fornecida não estava balanceada, pois a quantidade de átomos de um e outro não correspondiam).
Detalhamento do balanceamento da equação:
Antes de seguir, vamos nos dedicar um pouco mais à questão do balanceamento da equação para que isso fique claro.
Como vimos, a equação dada é Al₂O₃ + C → Al + CO₂, mas facilmente se vê que está desbalanceada. Vamos tentar balancear essa equação utilizando o método de inspeção.
Assim, definimos como coeficiente 1 para toda a equação, temos pois o seguinte:
1Al₂O₃ + 1C → 1Al + 1CO₂
De imediato notamos que o Al não está equilibrado, pois na primeira parte da equação há 2 átomos de alumínio. Vamos, portanto, multiplicar o alumínio por 2 na parte dos produtos da equação. Temos daí:
1Al₂O₃ + 1C → 2Al + 1CO₂
Podemos ver agora que o Alumínio está equilibrado, mas o Oxigênio não, pois há três átomos nos reagentes e apenas 1 no produto. Vamos, pois, multiplicar pelo coeficiente 2. Temos então:
2Al₂O₃ + 1C → 2Al + 3CO₂
(observe que nos reagentes está-se multiplicando 2 por 3 oxigênios, como nos produtos já há dois oxigênios, multiplico por 3 e tempos 6 oxigênios em ambos os lados)
Vemos também que o C não está equilibrado, pois há 3 no lado dos produtos e apenas 1 no lado dos reagentes. Vamos multiplicar o C por 3 na primeira parte da equação, portanto:
2Al₂O₃ + 3C → 2Al + 3CO₂
Finalmente podemos ver que o único que continua desequilibrado após os ajustes é o Al, pois há 4 nos reagentes e apenas 2 nos produtos. Vamos multiplicar por 4 em vez de 2 no lado dos produtos, em consequência temos:
2Al₂O₃ + 3C → 4Al + 3CO₂
Opa! Conseguimos balancear a equação! Não é difícil, só requer um pouco de atenção e seguir a sequência do método de inspeção.
Anotar dados
Pela equação balanceada, 2 mols de Al₂O₃ produzem 4 mols de Al. Simplificando, a relação é de 1 mol de Al₂O₃ para 2 mols de Al.
102 g de Al₂O₃ —— 54 g de Al
5100 g de Al₂O₃ —– X g de Al
X = (5100 * 54) / 102
X = 275400 / 102
X = 2700 g de Al
Resposta: São produzidos 2700 gramas ou 2,7 kg de alumínio.
A Estequiometria se manifesta de diferentes formas, dependendo do estado físico e da natureza das substâncias envolvidas. Conhecer cada tipo é essencial para não se perder nas questões.
É o tipo mais comum, como no exemplo anterior. Envolve a conversão de massas entre reagentes e produtos, utilizando as massas molares. É pura aplicação das Leis de Proust e Lavoisier.
O mol é a unidade-base da Química. Muitas vezes, os problemas já fornecem as quantidades em mol ou pedem o resultado nessa unidade. A relação é direta pelos coeficientes da equação.
Ex: Na reação N₂ + 3H₂ → 2NH₃, 1 mol de N₂ reage com 3 mols de H₂ para produzir 2 mols de NH₃.
Para gases, em mesma pressão e temperatura, volumes iguais contêm o mesmo número de mols (Princípio de Avogadro).
Em Condições Normais de Temperatura e Pressão (CNTP: 0°C e 1 atm), 1 mol de qualquer gás ocupa aproximadamente 22,4 litros.
Se um problema der o volume de um gás, você pode relacioná-lo diretamente com a massa de um sólido, por exemplo.
Aqui, o conceito chave é a Concentração em mol/L (Molaridade). A relação é: Concentração (mol/L) = número de mols / volume (L).
Se um problema informa que você tem 500 mL de uma solução de HCl 2 mol/L, você pode calcular quantos mols de HCl estão presentes e relacionar com a massa de um metal que reage com esse ácido.
Porque é por meio delas que é possível calcular com precisão as quantidades de reagentes e produtos nas reações químicas.
Por consequência, essas relações são fundamentais para a prática da química, pois é por meio das relações molares que é possível saber como as substâncias interagem e antever o resultado de reações.
Nesse contexto, é necessário saber responder às seguintes perguntas:
Mol é uma unidade de medida do Sistema Internacional de Unidades (SI), é a quantidade de matéria que representa aproximadamente 6,022 x 10²³ entidades elementares como moléculas, átomos, íons.
Massa molar, por sua vez, é a massa de um mol de substância expressa em gramas por mol (g/mol).
A massa molar é igual à massa atômica dos elementos (daí poder ser encontrada na Tabela Periódica) ou molecular dos compostos. A massa molar da água, por exemplo, é 18g/mol.
A relação entre o mol e a massa molar é dada pela equação n = m/MM onde:
É, portanto, através dessa fórmula que é possível calcular quantos mols de certa substância estão em uma amostra, dados seu peso e massa molar.
Para ilustrar, abaixo as relações molares expressas em diferentes unidades da amônia (2NH3) obtidas a partir de uma reação entre nitrogênio e hidrogênio.

A Estequiometria é tema regular na área da Química no Enem e nos vestibulares. Ela raramente aparece sozinha; geralmente está integrada a situações do cotidiano, problemas ambientais ou processos industriais.
Os enunciados são longos e contextualizados, mas a resolução, no fundo, sempre segue o passo a passo que demonstramos.
As questões frequentemente testam:
Ficou com alguma dúvida? Assista ao vídeo a seguir do Professor Michel para ter uma compreensão mais ampla dos pontos que se acabou de abordar.
https://www.youtube.com/watch?v=gF-NVAVPaz0&list=PL4If1xXbEdeM-UyiJB5pznaBnbiPtMawZ
(Adaptado) O hidróxido de magnésio, Mg(OH)₂, é utilizado como antiácido. Neutraliza o excesso de ácido clorídrico, HCl, no suco gástrico, segundo a reação:
Mg(OH)₂ + 2 HCl → MgCl₂ + 2 H₂O
Se uma pessoa ingere 0,58 g de Mg(OH)₂, o volume de suco gástrico, em mL, neutralizado será de aproximadamente?
*Dados: Massas molares (g/mol): Mg=24, O=16, H=1; Cl=35,5. Concentração de HCl no suco gástrico = 0,1 mol/L.
Resolução:
Resposta: O volume neutralizado será de 200 mL de suco gástrico.
A combustão completa da glicose, C6H12O6, é responsável pelo fornecimento de energia ao organismo humano. Na combustão de 1,0 mol de glicose, o número de gramas de água formado é igual a
Resolução:
Como a combustão completa produz gás carbônico (CO₂) e água, vamos montar a equação.
Reação de combustão da glicose:
C6H12O6 + 6O₂ ——> 6CO₂ + 6H₂O
Como podemos ver pela equação acima, 1 mol de C6H12O6 forma 6 mols de H₂O.
Quantas gramas há em 6 mols de água?
1 mol de H₂O ———– 18g
6 mols de H₂O ———– Xg
(6×18)/1=108
X = 108g – Alternativa correta “d”, portanto.
Para concluir, segue imagem ilustrativa da molécula de glicose, objeto da questão analisada.

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